sábado, 26 de novembro de 2011

De quantos enigmas é feita a vida de cada um de nós?
À medida que desfazemos os nós, outros são feitos, outros são consolidados
e a gente fica com a ilusão de estar-se libertando, quando, em verdade, estamos nos atando a outras tantas situações de onde gostaríamos de nos afastar.
Damos voltas em tornos de nós mesmos acreditando caminhar para frente
Voltamos à fonte que originou nossos problemas tantas vezes que pensamos ser essa a única forma de recomeçar
E girando, girando, avançamos tão pouco...e penamos tanto!
Quem sabe, melhor não ficar parada, estática, vendo a vida movimentar-se sozinha?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ao vê-los saindo, afastando-se da casa que é sua, sinto uma tristeza tão grande que penso em pedir que voltem. Como deixei que a situação chegasse a tanto? Como permiti que a vida me afastasse de quem amo? Sinto não ter feito uso de todas as possibilidades para mantê-los por perto, junto a nós.
Um homem e um cachorro se afastando é, em mim, uma acusação de não ter amado o suficiente. Não ter compreendido nem a mim nem a eles. Prova de um fracasso violentamente estúpido. Prova maior de que sofrimento gera sofrimento.
Porém, por que eu deveria ser aquela a amar mais e a cuidar sempre? Por que exigir de mim nao ser frágir e agir corretamente nas situações excruciantes? Onde encontrar a força para fazer frente a fragilidade humana que se espaira por todo meu ser?  Exigir de mim uma conduta diferente, talvez não seja prova de maturidade, mas tao-só se origine de sentimentos de onipotência e prepotência.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ser uma ponte ligando verdades distintas que se pretendem opostas, sem de fato o serem
Aceitar ser passagem trilhada por tantas verdades que se dizem inexistentes
Ligar o que era com o que será num jogo que tem o hoje como tempo decisivo
Acreditar ser mais do que a matéria pulsante, porém menos do que deveria ser
Lançar-se no horizonte com os olhos abertos atentos ao novo
Viver como se de outra forma não pudesse ser
Ser capaz de se levar feito folha ao vento, desfrutando das perplexidades  sem medo do seu conteúdo. Fazer das mazelas das dúvidas apenas uma abertura para se chegar mais perto de si. Se duvido, investigo e questiono, é porque tenho em mim a capacidade de chegar as respostas. E se preciso não de uma, mas de duas, três, mil tentativas que sejam, não importa. Serei paciente. Antes demorar que não chegar nunca porque sequer ouviu da vida a pergunta. Que ela continue em seu trabalho de levar-me a mim mesma. Sei que um dia chego lá. Por enquanto, ouço as perguntas. As respostas, quando as tiver, soprarei ao vento.